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Nova Iguaçu, Rio de Janeiro
27.7.09 00:20
Abecê
Segundo a minha mãe, eu comecei a ler bem cedo. Aos três anos de idade, eu passeava com minha mãe e, do colo dela, apontei para um letreiro de uma loja qualquer e identifiquei ali uma palavra que não me lembro. Ela me olhou com surpresa e um pouco de terror - ela sempre foi cautelosa com grandes demonstrações de sagacidade -, mas mesmo assim ficou feliz e me abraçou. A partir de então, fui cooptado para as páginas ásperas dos gibis, principalmente os feitos pelo simpático Maurício de Sousa, cujo sorriso que carregava em todas as fotos me parecia tão enigmático àquela época quanto o da Mona Lisa me parece hoje. Toda semana eu esperava pelas novas edições dos quatro amigos rechonchudos pés-de-elefante, ria sozinho com as piadas pueris sob o olhar admirado da minha mãe. Lia rápido, nunca deixava uma revista pela metade, à exceção dos almanacões de férias. Na escola, até os dez anos meus professores se limitavam a nos fazer ditar alguns tópicos relacionados a História do Brasil e datas comemorativas. Após isso, como todos os meus amigos de mesma idade, fui iniciado a Marcos Rey e derivados. Foi quando eu descobri que não gostava de escrever. Aquelas regras chatíssimas de título, introdução, desenvolvimento e conclusão inibiam minha paciência e me tiravam toda a vontade de redigir algum texto. Me sentia muito mais atraído pelos números do que pelas letras, apesar de ter tido sempre notas bem regulares durante meu período escolar, digno de medalhas de honra ao mérito. Apesar de ainda não ter muito discernimento quanto meus gostos, tinha certeza de que Português era a disciplina mais inútil de todas. Induzido pelos outros companheiros de classe, me afastei sistematicamente das orações e períodos para me infiltrar nos mistérios da Matemática e enfrentar os desafios mais temidos por eles. Diferenciava-me deles por isso: odiavam essa disciplina com muito mais fervor do que aquela. Antecipava-me às matérias que seriam lecionadas nos semestres seguintes, rascunhando nas orelhas dos livros os cálculos vindouros. Quando me perguntavam o que eu fazia para assimilar aquele códigos que, para eles, à primeira vista, eram inalcançáveis, mentia dizendo que era só prestar muita atenção ao que o professor nos dizia em sala. Lá pelos quinze anos eu iniciei minha organização de ideias, procurando encaixá-las a fim de construir algum pensamento crítico, não apenas aceitar as coisas somente porque Deus assim queria. Não sei bem quando nem como esse processo teve início, mas passei a respeitar mais os livros, indo de encontro a eles, perambulando cauteloso entre sebos, furtando cochicos de letrados próximos a mim, guardando informações de escritores tidos como essenciais. Em algum lugar, tomei conhecimento do hábito de ler. Relutei, desconfiado de que esse hábito me retraria a inibição dos tempos da Redação no Ensino Fundamental, mas com o tempo me acostumei a possibilidade de ter sempre um livro a tiracolo ou ter o prazer de dialogar. - O que você está lendo? - O Código da Vinci, sensacional - essa foi a minha primeira resposta, que eu me lembre. Hoje, mais precisamente durante a construção deste texto, compreendi que, ao contrário do que eu pensava, a leitura sempre se fez presente na minha vida. Desde os letreiros até os romances consagrados, passando por bulas de remédio e livros didáticos, eu estive ligado diretamente ao hábito de ler, muito embora não tivesse um critério para organizar a leitura. Escrever foi um processo natural: quanto mais se lê, mais se tem vontade de ler algo perto do ideal, o livro perfeito. Quer bem feito, faça você mesmo. Critique-se e exija sempre o melhor de você. E para quem quiser, cobre também do seu autor preferido melhores textos. Caso não se trate de alguma celebridade da literatura industrial, você será bem recebido. *
Comentários:
Nova Iguaçu, Rio de Janeiro
15.7.09 20:12
Nossa, [mais de]um ano sem postar! Vamos ver se a gente consegue pegar ritmo de jogo [e sair com os 3 pontos].
*
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Nova Iguaçu, Rio de Janeiro
27.7.09 00:20
Abecê
Segundo a minha mãe, eu comecei a ler bem cedo. Aos três anos de idade, eu passeava com minha mãe e, do colo dela, apontei para um letreiro de uma loja qualquer e identifiquei ali uma palavra que não me lembro. Ela me olhou com surpresa e um pouco de terror - ela sempre foi cautelosa com grandes demonstrações de sagacidade -, mas mesmo assim ficou feliz e me abraçou. A partir de então, fui cooptado para as páginas ásperas dos gibis, principalmente os feitos pelo simpático Maurício de Sousa, cujo sorriso que carregava em todas as fotos me parecia tão enigmático àquela época quanto o da Mona Lisa me parece hoje. Toda semana eu esperava pelas novas edições dos quatro amigos rechonchudos pés-de-elefante, ria sozinho com as piadas pueris sob o olhar admirado da minha mãe. Lia rápido, nunca deixava uma revista pela metade, à exceção dos almanacões de férias. Na escola, até os dez anos meus professores se limitavam a nos fazer ditar alguns tópicos relacionados a História do Brasil e datas comemorativas. Após isso, como todos os meus amigos de mesma idade, fui iniciado a Marcos Rey e derivados. Foi quando eu descobri que não gostava de escrever. Aquelas regras chatíssimas de título, introdução, desenvolvimento e conclusão inibiam minha paciência e me tiravam toda a vontade de redigir algum texto. Me sentia muito mais atraído pelos números do que pelas letras, apesar de ter tido sempre notas bem regulares durante meu período escolar, digno de medalhas de honra ao mérito. Apesar de ainda não ter muito discernimento quanto meus gostos, tinha certeza de que Português era a disciplina mais inútil de todas. Induzido pelos outros companheiros de classe, me afastei sistematicamente das orações e períodos para me infiltrar nos mistérios da Matemática e enfrentar os desafios mais temidos por eles. Diferenciava-me deles por isso: odiavam essa disciplina com muito mais fervor do que aquela. Antecipava-me às matérias que seriam lecionadas nos semestres seguintes, rascunhando nas orelhas dos livros os cálculos vindouros. Quando me perguntavam o que eu fazia para assimilar aquele códigos que, para eles, à primeira vista, eram inalcançáveis, mentia dizendo que era só prestar muita atenção ao que o professor nos dizia em sala. Lá pelos quinze anos eu iniciei minha organização de ideias, procurando encaixá-las a fim de construir algum pensamento crítico, não apenas aceitar as coisas somente porque Deus assim queria. Não sei bem quando nem como esse processo teve início, mas passei a respeitar mais os livros, indo de encontro a eles, perambulando cauteloso entre sebos, furtando cochicos de letrados próximos a mim, guardando informações de escritores tidos como essenciais. Em algum lugar, tomei conhecimento do hábito de ler. Relutei, desconfiado de que esse hábito me retraria a inibição dos tempos da Redação no Ensino Fundamental, mas com o tempo me acostumei a possibilidade de ter sempre um livro a tiracolo ou ter o prazer de dialogar. - O que você está lendo? - O Código da Vinci, sensacional - essa foi a minha primeira resposta, que eu me lembre. Hoje, mais precisamente durante a construção deste texto, compreendi que, ao contrário do que eu pensava, a leitura sempre se fez presente na minha vida. Desde os letreiros até os romances consagrados, passando por bulas de remédio e livros didáticos, eu estive ligado diretamente ao hábito de ler, muito embora não tivesse um critério para organizar a leitura. Escrever foi um processo natural: quanto mais se lê, mais se tem vontade de ler algo perto do ideal, o livro perfeito. Quer bem feito, faça você mesmo. Critique-se e exija sempre o melhor de você. E para quem quiser, cobre também do seu autor preferido melhores textos. Caso não se trate de alguma celebridade da literatura industrial, você será bem recebido. *
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Nova Iguaçu, Rio de Janeiro
15.7.09 20:12
Nossa, [mais de]um ano sem postar! Vamos ver se a gente consegue pegar ritmo de jogo [e sair com os 3 pontos].
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Este é meu blog. E logo abaixo alguns sites que eu acho legais. Blog da Pequena Blog da Andressa Ludov Gram Blog da Vanessa Los Hermanos Vagalume MPB fm Happy Tree Friends Adoro Cinema Camiseteria Omelete Trama Saraiva Mercado Livre YouTube Archive ![]() ![]() |